terça-feira, 7 de abril de 2015

ANTÓNIO COSTA E O FUTURO DE PORTUGAL

 
 
Lamento ter de dizer que, por mais qualidades políticas e pessoais que possa ter, António Costa não parece ser o líder oposicionista necessário para o momento muito especial que o País atravessa.

E não vejo nada esta magna questão com o calculismo e a "cientificidade" do analista Pedro Adão e Silva. O problema do PS não é só "jogar" mais à Esquerda, ou mais à Direita, nem ser mais realista, ou mais demagógico. Menos ainda ser mais competente e tecnocrático, ou mais ideológico e inflamado. Nada disso.

O grande, o essencial problema do PS é demonstrar que continua a ser possível acreditar na Democracia e no Desenvolvimento igualitário em Portugal com base no atual sistema de poderes fácticos!

Enquanto não se demarcar inequivocamente das inúmeras preversões que comandam o beco sem saída em que Portugal se encontra, o PS não conseguirá ser visto como uma alternativa de esperança pelos portugueses.

Os resistentes anti-fascistas, por exemplo, não tinham propriamente (só) um Programa para Portugal, mas tinham um objetivo comum bem definido: lutavam contra um regime político iníquo!

O PS, em 74-76, podia não ter ainda um Programa de Governo muito consolidado, mas fez História lutando contra as estruturas sociais e políticas do nosso Passado totalitário sem contudo aceitar aventuras radicais, que nos levariam por certo a outro tipo de totalitarismo.

O PS de hoje tem uma retórica oposicionista, sim, mas ela visa essencialmente as consequências da ação do atual "guverno", não sendo claro no ataque às causas do terramoto que assolou Portugal desde 2011. Ou seja, teimando em NÃO DEFENDER A SUA HERANÇA DO GOVERNO ANTERIOR e isso não lhe permite ter uma base sólida para erguer um Programa credível e um discurso político compatível!

Não basta dizer que o PSD e o CDS fizeram mal em ir além da "tróica". Não basta dizer que com o PS não se cometeriam os MESMOS erros. António Costa tem de ter a AMBIÇÃO de estruturar uma PLATAFORMA MÍNIMA DE UNIÃO na Sociedade portuguesa, com valores e objetivos que transcendam os do PS (sem os contradizerem) e que contorne os aparelhos partidários à Esquerda e à Direita, indo ao encontro direto do Eleitorado que se reveja na Democracia, na defesa do Estado Social e, ACIMA DE TUDO, na importância da credibilidade, eficácia, transparência e IMPARCIALIDADE da Justiça como garante principal não já apenas do funcionamento da Economia, mas da própria sustentação do Estado de Direito e da Democracia!

Só depois deverá então preocupar-se com o Programa de Governo (e a qualidade dos governantes), porque ele decorrerá NATURALMENTE desse CONTRATO político primordial a firmar com o Eleitorado!

Uma casa não começa a construír-se pelo telhado. E um País não é só Economia, caramba! Não basta centrar os argumentos nos factos (indesmentíveis, decerto) de a dívida pública ter aumentado, o PIB ter regredido para níveis de há 10 anos, o Desemprego ter escalado para números de há 20, o Investimento estar já ao nível de há 30 e a Emigração ao de há 40.

Mais grave do que tudo isso junto é a possibilidade concreta de estarmos de novo em Portugal, politica e socialmente, ao nível do... spinolismo (apenas sem as Colónias...)! Sem Spínola, mas igualmente sem Melo ANtunes, sem Salgado Zenha e, na prática, sem um vulto prestigiado e conciliador com a estatura de um Mário Soares...

E a isto António Costa continua (preocupantemente) a dizer NADA. Mas é sobre isto que o Povo decente quer e precisa de ouvir falar, em primeiro lugar e URGENTEMENTE.

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